Eu ainda queria que você soubesse

Todas as coisas fora do lugar, coração na boca, boca nos olhos, estômago na garganta. Tudo é bagunça desde você. Enquanto isso eu peço uma Clementina no bar que só a gente entende o porquê de ser o melhor lugar dessa cidade morna, e tento dizer pra aquela amiga que eu não vejo há tempos…

Cartas anônimas não datadas

Maio Não te reconheço mais, teus olhos resolutos neste instante não me dizem o que outrora diziam, tua boca pragmática agora não reflete tuas convicções. Definitivamente tu não existes como em outros tempos e me pergunto por mil vezes em que parte do caminho eu te permiti desarvorar. Sequer compreendo o quanto estimo ou não…

Um não-soneto para uma não-escoteira

A chuva cai fraca, e tudo está alagado, estou ilhada meu coração é um barco sem rumo, minha mente o bote salva-vidas ou isso, ou me atiro em um rio turvo.   Engoli fumaças pela metade esvaziei xícaras de café pra um tentei ligar as luzes tentei desesperadamente desligar depois.   “A culpa não é…

Corsaletti, o não poeta

Não era mesmo um curso livre de poesia, de repente nem um curso era, até aí tudo bem. Corsaletti despeja um apanhado histórico sobre a crônica, “não, ele não é um poeta” é o que meu pensamento propaga em ondas invisíveis caixa craniana a fora. Às vezes ele parece uma criança falando dos cronistas, outras…

Débitos sentimentais

_ E eu que sei de ti? Se mal o faço de mim! Deveria? Mas e dever combina com amar? Achava que amor era uma espécie de brincar com o coração na boca. Honestamente? Não queria te ter em dívida.

Se chover me junta

O mar cinzento flutuando sobre nossas cabeças, em uma dança densa, sinistra e pérfida. Esse som me faz trêmula, débil e errada. Esse céu me ocupa, me alaga, me transborda. Vivo em tempestades, entre barcos à deriva, reprodutores de um balé desconforme, desorientados. Desorientada vivo temendo os relâmpagos, as faíscas de alucinação, as convulsões desse…

Eu queria que você soubesse

Você sempre me diz: “qualquer um se apaixonaria por você”. Mas eu queria que você soubesse: qualquer um se apaixonaria por qualquer um que ocasionalmente sente ao seu lado no banco da praça e puxe uma conversa inesperada sobre o tempo. E seria difícil não sucumbir a paixão diante de qualquer um que fosse sensível…

1854

Diante do calor dessa presença que hora é passado, agora é presente; Facejando o futuro desejado ardentemente em outros tempos, uma paz fervilhante transforma esse momento em água doce. Podem vozes dizer menos do que olhos brilhantes? pergunto. . Falas e escutas devotadas, entregues. Minutos que somam horas, consagradas a ti, aos gestos, ao chocolate…

Insustentáveis Certezas

Há pouco fumei meu cigarro de dez minutos, enquanto meus olhos tentavam decifrar o tremor desenfreado do meu corpo quente. Eu queria não precisar pensar em nada, mas nos último tempos minha mente tem traçado um paralelo mórbido entre as verdades e mentiras que tenho contado pra mim mesma, o que torna impossível que meu…

Partidas

Eu não sou um personagem! Presta atenção quando eu te digo isso, quando eu me esforço pra me fazer entender, quando meus olhos se inflamam antes de serem apagados por essa película densa e brilhante que eu luto para não ver transformada em lágrimas. Todas as verdades que você acha que sabe sobre mim são…

Ato 1

Fim do primeiro ato, Os gritos de liberdade vivos, Toda a força das vozes doces Toda a insegurança de se interessar Ou fingir interesse. . Encontro palavras, Poucas e hostis E dedos Apontados, afiados, molestadores. Os doces dedos domadores Os que hora me tocam Hora me julgam. Já não sou a mesma. . Não choro,…

Marília, eu já sabia!

Tenho sentido em quase todas as horas de quase todos os dias essa saudade de ninguém. Disfarço contando piadas, rindo de mim, dos meus infortúnios e da minha falta de nada. Adquiri habilidade em passar minutos a fio sentada nessa estrada larga. A escuridão já não me cega mais, os gaviões não me atropelam, e…