Democracete!

Excelentíssimos Brasileiros!

Sim, eu sei que excelentíssimo é um pronome de tratamento empregado apenas no trato com “personalidades” do poder público ou judiciário (blá, blá, blá). Mas cá pra nós, qual a diferença que existe entre você e o vereador semianalfabeto da sua cidade? (Opa, eu pensei ou escrevi isso aí!?)

Passadas as eleições e diante de outros acontecimentos (super)democráticos de nosso País, senti (até que enfim) vontade de postar algo no blog. Não que as eleições sejam assim tão inspiradoras, mas é preciso reconhecer quantos debates elas promovem à nossa nação. “Que seja”, não decidi escrever esse post para debater política (não mesmo!), mas para debater essa aparente democracia da qual fazemos parte.

Essa “coisa” de democracia começou a martelar na minha cabeça desde a semana passada, mais precisamente na manhã do dia 05/10/2012, quando tomei conhecimento da principal notícia do meu Estado naquele dia: “Manifestantes atacam mascote da Copa do Mundo”. A princípio não quis opinar, decidi me inteirar mais sobre o assunto e, após assistir alguns vídeos, ler algumas (das tantas) opiniões, ver iBagens imagens do acontecido, etc; uma palavra não saiu mais da minha cabeça: DEMOCRACETE.

Então, eu, uma mera cidadã brasileira, que justifico meu voto já a algumas eleições, que compro no Paraguai, Uruguai e em qualquer outro lugar que cobre menos impostos que o Brasil, que reclamo o tempo todo de como a saúde é ruim, de como a educação é ruim, de como as estradas são ruins… enfim, eu percebi que não sei viver em uma democracia, e o PIOR, percebi que pouquíssimos de nós (brasileiros ou não) o sabem.

Minha primeira reação diante da minha mais nova constatação foi a de tentar provar a mim mesma o contrário; passei a fazer perguntas que me provassem que sou democratizada, que estou sempre inteirada a respeito de todas as ações dos meus governantes, que cobro as melhorias ao poder público (mesmo quando elas não são para mim) e que me importo com o bem estar das pessoas da minha rua, do meu bairro, da minha cidade e do Brasil. Tentei me convencer que sei sobre a importância de pagar impostos, de votar e de conhecer as leis do meu país. Quis acreditar que eu saberia lutar pelos direitos da minha sociedade, sem agredir ninguém, sem destruir o patrimônio público (que é meu também), sem querer afrontar ou falar mais alto, sem levar uma câmera para fotografar, filmar e depois compartilhar o material nas redes sociais. Desejei, desesperadamente, acreditar que jamais agiria com violência quando alguém não compactuasse das mesmas crenças que eu, que não tiraria o sangue de outro cidadão em nome da integridade do que quer que fosse, que não atiraria pedras nos que me afrontassem e que não consideraria meus inimigos aqueles que fazem parte da mesma nação que eu.

Tentei, eu juro que tentei, mas me vi inserida em uma caótica democracia, onde o que conta mesmo é o “cada um por si e ferrem-se todos”!

Minha segunda reação diante da minha mais nova constatação foi tentar ver naqueles que representam a tal democracia, algo democrático. Passei a me perguntar nesse segundo momento se ao menos aqueles que representavam a poderosa democracia, defendida e protegida pela constituição, se essas pessoas (agora sim excelentíssimas) realmente viviam a democracia. E o que foi que eu vi? As ELEIÇÕES! Existe algo mais democrático do que o cidadão ter o “direito” de eleger entre tantos candidatos aquele que ele considera menos pior melhor? Isso sem contar o fato de que quanto mais dinheiro o candidato tiver, mais você o verá nas ruas, nas casas, nos muros, nos carros, nos jornais, na televisão, o ouvirá nas rádios… porque no fim das contas se o seu candidato fez uma campanha grandiosa, ele realmente foi um candidato transparente, que já inicia seu mandato devendo favores a centenas de pessoas que financiaram todo esse circo maravilhoso espetáculo, e assim você não pode dizer que ele não deixou as coisas bem claras já na época da eleição (correto?). Toda essa beleza de democracia ainda conta com baixarias e trocas de ofensas em público pelos excelentíssimos (pronome de tratamento bem colocado?), além de mentiras, troca de votos por favores (podem-se considerar favores: “chapa dentária”, material de construção, pagamento de IPVA e IPTU, dinheiro em cash e a última do momento: entorpecentes), bueiros entupidos de santinhos e o melhor de tudo: a OBRIGATORIEDADE do voto, que, diga-se de passagem, só não é pior do que a obrigatoriedade dos rapazes (bonito isso!) de se alistarem no Exército Brasileiro (por favor não me prendam!).

DEMOCRACETIZAÇÃO, realmente ninguém mais me convence de que essa não é a forma correta de eu me referir a um sistema em que um indivíduo só quer fuder prejudicar o outro ou no mínimo “se dar bem”.

(…) E enquanto isso no “Reino Encantado da Democracia”, bandeirolas ao vento para comemorar mais quatro anos de contos de fada.

Abraço Brasil.

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2 Comments Add yours

  1. Lucas diz:

    Que texto!

    Nem parece que escreveu ele em 2012. Clap-clap-clap.

    1. A democracia no Brasil não desenvolve, infelizmente as coisas nunca se atualizam por aqui.

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