Crítica – Museu da Moda de Canela

Olá pessoas!

Tem coisas que são “chatinhas” de fazer, mas necessárias. Uma delas é fazer críticas a algo que vemos e não concordamos, mas uma crítica pode ser encarada como um desejo de tentar melhorar as coisas, e é por esse motivo que hoje meu post será sobre o MUM (Museu da Moda de Canela/RS).

Conheci o MUM nesse final de semana, desde que soube da inauguração tinha vontade de ir até lá, então nem preciso dizer o quão grande era minha expectativa. Algumas coisas são louváveis e, portanto, não posso deixar de citá-las: a estrutura é maravilhosa (arquitetura do prédio, decoração… tudo lindo!) e o legal é que estudante paga meia-entrada (R$15,00 para estudantes, preço é um pouco alto, mas valeria se o museu oferecesse uma aula de moda).

Aqui tem um vídeo pra quem quer ver um pouco da estrutura do museu: MUM.

Bom, como vocês podem ver o museu é lindo mesmo, a decoração do hall de entrada impecável e quanto a isso não tenho nada o que questionar. O problema acontece assim que você passa pela cortina preta e adentra a área do acervo do museu, existem muitas coisas que estão inacreditavelmente erradas, tendo em vista o quanto se pensou em investir na estrutura, eu realmente não esperava encontrar menos do que a história da moda o mais completa possível. Dentro do museu não se pode fotografar, então não tenho imagens da parte interna, a não ser as que estão exibidas no site do museu (endereço para quem quiser dar uma conferida: Site MUM), porém, fiz algumas anotações e vou destacar alguns pontos que considero importantes sobre o acervo e conteúdo do Museu da Moda.

Fachada do Museu da Moda e Hall de entrada, em Canela/RS (imagens: divulgação)
Fachada do Museu da Moda e Hall de entrada, em Canela/RS (imagens: divulgação)
  • DISPOSIÇÃO DO ACERVO – A disposição das peças é bastante confusa, e muitas vezes eu precisei retornar ao início para conseguir entender a cronologia da moda em relação ao acervo exposto. Além disso, uma outra peculiaridade incomoda bastante, o museu possui um sistema que desliga as luzes automaticamente (sim, muito bom para economia de energia!), então eu precisei me movimentar dentro das salas com uma grande frequência para que as luzes voltassem a acender, sendo assim, acredito que as luzes deviam ser programadas para desligarem após um tempo maior quando o público no museu não estiver muito grande.
  • GÊNERO DO ACERVO – Todas as peças expostas no museu são do gênero feminino, isso me decepcionou bastante. Falamos tanto de aceitar diferenças e blá blá blá na moda, que não consegui entender o porquê do MUM não ter roupas masculinas expostas. Além de claro, a moda masculina contar muito da história, dos costumes e tradições da humanidade. Essa com toda a certeza é a maior falha do museu.
  • DADOS HISTÓRICOS E CURIOSIDADES – Os dados históricos informados ao público são vagos e além disso quase nenhum tipo de curiosidade a respeito da moda é passado. Coisas importantes como o início do tingimento dos tecidos, a influência de cores como o vermelho nas vestimentas de membros importantes da sociedade, a questão da relação dos tamanhos das golas e chapéus com o poder, entre outras curiosidades importantes na história da moda, foram deixadas de lado e nem sequer citadas.
  • SOBRE A MODA – Se você vai visitar um Museu da Moda espera-se que se não for um entendedor de moda ao menos passe a entender um pouco mais sobre o assunto, mas isso não é o que acontece quando você visita o MUM. Em nenhum momento o acervo ou as explicações falam sobre coisas importantes como: O que é Haut Couture. O que é Prêt-a-porter. Quais estilistas marcaram época. O porquê de, em alguns momentos, a moda mudar tão drasticamente. As influências das guerras na moda. Entre tantas outras coisas que não são mencionadas.
  • VESTIDOS – Outra crítica que precisa ser feita é a respeito do acervo ser inteiramente composto por vestidos, sendo que um dos acontecimentos mais importantes na moda foi o começo do uso da calça pelas mulheres. Como podemos falar da moda mostrando ao público apenas vestidos? Como podemos falar dos momentos históricos da moda sem falar das “calças de Chanel“, do jeans boca-de-sino dos hippies, das calças surradas dos punks? #IMPOSSÍVEL
Acervo do Museu da Moda (imagens: divulgação)
Acervo do Museu da Moda (imagens: divulgação)

Bom, além desses tópicos levantados, também gostaria de citar a exposição temporária “Divas do Cinema” que está instalada no MUM, onde também não encontramos nenhum dado relevante, os nomes dos estilistas que fizeram os vestidos das celebridades de cinema não são citados e algumas réplicas dos figurinos são desagradavelmente mal feitas (o que, particularmente, me incomodou bastante).

Pode parecer que essa é uma crítica maldosa, mas muito pelo contrário, essa é uma crítica de alguém que gosta de moda e gostaria de ver uma estrutura tão grandiosa e especialmente feita para ela, sendo utilizada da melhor forma possível. A moda não é fútil, tem conteúdo histórico, artístico e tem beleza. Quem se envolve com ela precisa ser apaixonado a ponto de perceber que cada mínimo detalhe faz toda a diferença e que é preciso apresentar a moda a sociedade como a arte que ela realmente é.

Eu espero que na próxima visita que eu fizer ao MUM o conteúdo e acervo já possa estar digno a arquitetura do lugar.

Beeeijo e até o próximo post.

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