Afinal, o que elas querem?

Olá!

Nos últimos tempos esse “lance” de feminismo tem tomado conta do mundo, por mais que muitas vezes as pessoas se excedam nos debates, no geral as discussões são sim pertinentes e válidas para a melhora da vida social das mulheres. Convivo com diferentes gerações de mulheres diariamente, e realmente é possível ver a evolução da nossa conduta e postura através das décadas (agradecemos por isso, oh Gaia!), até aí nenhuma novidade. O que vem me deixando confusa nesse “novo” posicionamento das mulheres na sociedade é o porquê dessa evolução ter se tornado um problema social.

Daí, comecei a pensar nas mulheres com as quais convivo para relacionar essa mudança:

  • Minha vó: linda, viúva (não casou de novo porque né!? outros tempos), trabalhou em casa como costureira, criou os filhos e aturou calada todos os chiliques do meu avô (que com certeza tinha muitos), porque era assim que tinha que ser. No tempo da minha vó (que nasceu em 1938) mulher tinha que ser virgem até o casamento, mulher que se separava ou enviuvava ficava sozinha eternamente, mulher não tinha amigos homens, nem andava “por aí” batendo perna sem motivos… qualquer atitude transgressora fazia a mulher ser rotulada como vadia.
  • Minha mãe: linda, viúva (está acompanhada novamente a algum tempo, porque agora mais ou menos pode), trabalhou com carteira assinada até se casar, depois ficou em casa para cuidar da família, o que foi, de certa forma, uma prioridade dela. No tempo da minha mãe (que nasceu em 1962) mulher ainda tinha que ser virgem até o casamento, mas caso não fosse, tinha que ser muitíssimo discreta pra não ficar “falada”, se tivesse amigos homens tinha que ser com muita classe e controle emocional (nada de risinhos e abracinhos!), sair para a discoteca (que palavra fofa!) só se fosse na companhia de um homem da família, casar duas vezes até era permitido, desde que cumprisse um prazo de lamentação de uns 3 a 5 anos… qualquer atitude transgressora fazia a mulher ser rotulada como vadia.
  • Eu e minha irmã mais velha: lindas (haha), eu solteira e minha irmã casada, eu trabalhando desde sempre pela minha independência e liberdade (e viva o 7 setembro!), ela já trabalhou, mas depois de casar e ter os filhos (que sempre quis) optou por se dedicar a família (SIM, escolha dela). No nosso tempo (que nascemos respectivamente em 1984 e 1982) mulher já não precisa mais casar virgem (UFA!), mas continua precisando ser muitíssimo discreta pra não ficar “falada”, se tiver amigos homens tem que ser com muita classe e controle emocional (nada de abracinhos AINDA!) caso contrário vão pensar que existem ali segundas intenções, sair pra beber ou dançar sozinha é normal (até), mas isso vai fazer as pessoas acreditarem que você está disponível (“tipo” pra qualquer coisa), casar duas vezes ou mais até que é permitido, mas o prazo de lamentação continua valendo, outras atitudes tipo transar com quem você quiser ou chegar no “carinha” pelo qual você está interessada ainda não são “bem vistas” (P.S.: Claro que em qualquer ação os fatores morais devem ser considerados, mas daí fica a critério de cada um.)… qualquer atitude transgressora faz você ser rotulada como vadia.

Bom, aparentemente essa evolução parece não ter ido muito além do direito de existir profissionalmente, votar e casar quando e quantas vezes quiser, ainda que façamos isso com uma dificuldade ao quadrado. Porque no geral, apesar de colhermos alguns bons frutos de nossas antecessoras, continuamos lutando pelas mesmas coisas das gerações passadas, e essa é a grande questão: lutamos. Sim, nós lutamos, lutamos e lutamos e depois de tantas lutas e conquistas a maioria das discussões femininas são machistas. Discussões do tipo: o cara bom pra casar, não ficar “falada”, ter filho (porque mulher pra ser feliz tem que ser mãe), não beber demais “que é feio”, cuidar a roupa que usa, “o que eu tenho de errado que tô pra tia”, porque os homens não pagam mais a conta ou abrem as portas, o que meu namorado vai pensar se (…), tenho que ser linda pra sempre pra ser desejada pra sempre, tenho que ganhar bem pra pagar meu cirurgião plástico, cremes, cremes e mais cremes, filhos, filhos e mais filhos, homens, homens e mais homens. CLARO que não são todas, CLARO que não é tudo sempre assim, mas, se fizermos um apanhado geral, nós mulheres estamos com grande frequência tomando nosso tempo com discussões tipo essas (ultrapassadas), e isso é um TÉDIO!

Depois de tudo que conquistamos é só isso? Será que não é por isso que ainda não somos respeitadas como gostaríamos de ser? Será que não deveríamos estar aprendendo defesa pessoal ao invés de estarmos fortalecendo os glúteos nas horas vagas? Queremos ser tratadas de igual para igual ou queremos assento preferencial? Queremos um trabalho que nos exija o que exigiria de QUALQUER UM ou um trabalho que nos deixe tempo pra cuidar da família? Queremos dividir a conta ou não queremos? Não queremos ser vistas como objetos sexuais? (Mas) queremos colocar 500ml de silicone nos seios (sim, na bunda também)? Queremos relações apenas sexuais ou queremos romance? Queremos saber fazer tudo ou queremos um homem pra furar a parede? Será que queremos separar a razão da emoção como ELES fazem tão bem? Será que a gente sabe o que quer? Afinal, o que queremos?

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