Primeiro Dia

Hoje não é dia 31/07, mas foi nesse dia que escrevi o que eu vou transcrever hoje aqui no blog. Antes de começar essa categoria que chamei de “Terapia” pensei muito, porque não quero me expor a esse ponto aqui nesse canal que utilizo para mostrar um pouco de mim, mas não tudo sobre mim. No entanto, começo hoje o desafio de me fazer sentir através das palavras, porque sempre fui “dessas” de ter diário e quer saber (?), guardo eles comigo até hoje e isso não é para parecer uma psicopatia, uma prisão no tempo, eu guardo eles para que eu nunca me esqueça de todas as Danieles que eu já fui e tudo que permaneceu comigo. E os textos que seguem nessa minha “terapia virtual” são relatos de todos os sentimentos e experiências que me movem e me transformam o tempo todo, são palavras que desenham o ser humano que eu sou.

Abro aqui meu coração e mente.

31 de Julho de 2015

CHEGADA

É para a história recomeçar aqui, toda ela, não só a minha própria história, mas a do mundo que eu habito. Estou sentada em um sofá antigo e duro, mas que nesse momento me parece mais com um trono de rainha. Na sala uma lareira que teima em não acender e ao meu lado um amigo, um irmão, uma alma que parece completar a minha.

Dei início a minha cura.

CHAMAS

Agora o fogo arde e isso me fez pensar em queimar algumas memórias escritas, mas sempre tive medo de destruir palavras. E se elas morrerem para sempre? Como resgatar o que já se foi um dia?

Comprovo que o tempo é mesmo relativo (Einstein era realmente o cara!) porque sentada em frente ao fogo que aquece o corpo, ao lado de uma pessoa que arde em sabedoria, o tempo pausa. Me parece que vivo aqui há mil anos. Olho pro relógio e me certifico, sim, o tempo aqui é longo e posso sentir cada segundo sendo respirado, sendo batido, vivido.

O calor pode curar a alma.

COZINHA

Cozinhamos. Enquanto as panelas batem ouvimos a playlist de um amigo, Pedro. Penso em como é bom saber que existem pessoas que podem ser lembradas na ausência e ainda te tirarem um sorriso. Sorrio.

Escrevo escorada em um balcão de madeira desse “tipo” que tem poética em cada linha, queria ficar aqui pra sempre, escorada em caneta e papel.

TRILHA NOTURNA

Trilhamos entre araucárias centenárias, barro e uma escuridão iluminada pela Lua, que parece sorrir para a Terra essa noite. Em meio ao nada a vida de verdade, o tudo que o mundo deveria ser. Ergui as mãos sem vergonha ou medo e agradeci a todas as energias da natureza, agradeci à floresta e ao momento mágico que vivi ali.

Na chegada à vila avisto um balanço, de corda e madeira, atado à árvore mais frondosa. Voltei no tempo e me embalei em todas as minhas melhores histórias, nos meus próprios contos infantis, mas tive medo de me balançar alto demais, não posso cair outra vez, não devo.

Concluí que felicidade “inteira” senti até os meus 13 anos. Assim, contradigo a ideia de que não é possível ser feliz por muito tempo, 13 anos de felicidade me parece ser uma ótima marca alcançada.

DESCANSO

Ainda tem fogo na lareira, mas já é quase o segundo dia agora e eu preciso parar um tempo para digerir todos os sentimentos que inflam meu peito.

Se for para eu sonhar que seja com o dia de hoje.

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