Pelo Meu Direito de Permanecer Viva

Esse post não é para falar de mim, mas de nós, mulheres.

Esse post é uma forma de grito, de basta, de dizer: – Não aceito mais!

Esse post é pelo meu, pelo seu, pelo nosso direito de permanecermos vivas.

PERFIL:

13048046_1116630875025610_7038343022099429277_o

Nome: Daniele Charão

(AH É MULHER! hummm, e esse colo nu?)

Idade: 32 anos

(já tá meio passada!)

Profissão: Publicitária

(não deve ser muito boa, os homens são sempre melhores!)

Estado Civil: Solteira

(solteira com esse idade? solteirona!)

Nota:

Há 2 dias atrás uma jovem de 16 anos foi vítima de um estupro coletivo no Rio de Janeiro. Esse estupro foi documentado pelos próprios criminosos, que sem nenhum pudor divulgaram as imagens nas redes sociais. Também há 2 dias atrás as mulheres de Porto Alegre vêm sendo alertadas, através de um retrato falado, a tomarem cuidados com um estuprador que vem agindo em algumas linhas de ônibus da cidade.

E o que isso muda no meu perfil?

TUDO.

Desde que me entendo por gente não posso ser igual aos homens. Me lembro da minha mãe me pedir o tempo todo para não sentar com as pernas abertas porque “não era coisa de menina”; me lembro da escola controlar o tamanho do meu short; me lembro de não poder brincar com um menino sem dizerem que “eu estava apaixonada por ele”; me lembro de não poder beijar os meninos que eu quis beijar, não poder usar as roupas que eu queria usar, não poder ficar na rua até tarde, não poder, não poder não poder… E na ânsia de saber os porquês, eu vivia a angústia de ter sempre a mesma resposta: porque você é menina.

Mas um dia eu cresci, e sempre quis ser uma mulher independente e assim me tornei o que sou hoje: uma mulher independente.

A história deveria acabar aqui, mas não. Porque eu continuo não podendo, e a explicação continua sendo misógina: você é mulher!

SIM CARALHO, EU SOU MULHER. E é por eu ser mulher que eu mereço menos respeito do que um homem? Que eu devo ter medo de ser molestada, de ser forçada, de ser estuprada? Que eu não tenho direito de tomar as decisões sobre meu próprio corpo? Que eu ganho menos do que os homens que possuem a mesma qualificação que a minha? Que eu não posso escolher a roupa que eu vou usar pensando em me sentir bem, mas tenho que fazer isso pensando sempre em se vou fazer o outro se sentir “mal”? Que eu não posso admitir que eu já abortei (porque vou ser uma vagabunda assassina)? Que eu não posso transar com o cara que eu quiser, quando eu quiser (porque vou ser uma vagabunda pervertida)? Que eu não posso gostar de beber (porque eu vou ser uma vagabunda bêbada)?

Não interessa o que eu queira fazer, existem coisas que uma mulher NÃO PODE FAZER! E de repente eu percebo que não tenho o direito de ter o meu perfil, eu preciso mudar, me adaptar. Porque o fato de eu existir em uma sociedade patriarcal  me torna tão vulnerável nessa minha existência, que a maior parte do meu tempo eu passo tentando permanecer viva, quando na verdade eu deveria estar livre pra viver.

Por favor me permitam existir e poder. Isso, assim mesmo, sendo mulher.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s