Carta Aberta aos que Sofrem de Amor

Eu amei um cara.

Mas essa não é a verdade absoluta, porque estou usando o tempo verbal errado na esperança de fazer com que ele se torne o tempo certo.

Eu amo um cara. E essa é minha carta aberta aos que amam pessoas que por algum motivo não estão por perto agora.

Eu sempre fui uma romântica enrustida (uma das tantas pessoas do planeta que passam o tempo inteiro fingindo que não se importa), até o dia em que conheci esse cara. Por alguma patologia que não sei explicar, me lembro bem do dia em que o vi pela primeira vez, me lembro dele parecer a pessoa mais estranha e improvável que eu tinha conhecido até aquele momento. Não eram tempos bons pro meu coração, eram momentos de incertezas e descrenças, mas ele não se importou em ir ao meu tempo. E foi desse jeito, sem pressa, que eu o amei.

Tom Jobim uma vez falou sobre “todo o grande amor só ser bem grande se for triste” e foi assim que os anos passaram. Todas as tristezas emaranhadas com as alegrias e por fim, o fim.

Só que essa não é uma carta pra contar sobre o meu amor, mas pra falar de amor. É sobre o porquê você não deve se envergonhar por sofrer por um amor.

A primeira coisa que você precisa saber é que amar é muito mais do que estar junto, amar é desejar estar junto. É perdoar os erros, mesmo quando eles parecem irreversíveis. É desculpar as ausências. Viver as lágrimas. Sentir saudade. Se é isso que você sente agora, então conhece o amor.

A segunda coisa que você precisa saber é: Não se arrependa de sentir amor. Mesmo que todos te digam que é impossível amar quando o jogo todo parece ter virado contra você, isso não é verdade. Não tenha medo de sofrer, sentir sua dor, mostrar suas fraquezas, pedir um colo. Não se julgue por fraquejar. Porque o amor é esse desprendimento das certezas, é se permitir ser vulnerável, é sentir.

Todos os amores são transformadores. Agradeça por eles.

É normal seu peito parecer cheio agora. Eu tenho pensado onde deposito esse amor que eu costumava entregar pra esse cara e que por vezes tem me sufocado. Eu te digo que essa parece ser a coisa mais certa pra se fazer quando o que parecia ser “tudo” acaba: encontre um depósito! Não, não pense apenas em “alguém”, essa história de “só um amor cura outro amor” não é tão certeira quanto parece.

Se nesse momento você sofre por amor, saiba que isso não é exclusividade sua, outros milhares choram como você. Deixa pra lá o que parece ser o sensato a fazer. Acredite, o amor não é razão. Se precisar, deixa que ele te derrube durante quantas noites forem necessárias e não se envergonhe disso. Só os heróis são capazes de admitir suas derrotas antes de recomeçar.

Desabafar também ajuda, mas se você não tem alguém próximo em quem confiar suas dores, escreva. Escreva em mil rascunhos e depois passe uma noite lendo. Um dia, depois de muitos dias, as palavras já não farão mais você se sentir triste, assim como as músicas não irão mais parecer escritas pra você e os lugares não te trarão lembranças. Um dia, depois de alguns dias, tudo passa.

Essa carta é muito mais pra mim do que talvez seja pra você. Mas ainda assim é pra falar de amor, do amor que “não se mede e não se repete”. Que amor é uma coisinha pessoal, intransferível, incalculável. Tem amor até que é eterno.

Eu realmente queria que você soubesse que se você está aí sozinho, então nós estamos juntos nessa!

 

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