Ato 1

Fim do primeiro ato,

Os gritos de liberdade vivos,

Toda a força das vozes doces

Toda a insegurança de se interessar

Ou fingir interesse.

.

Encontro palavras,

Poucas e hostis

E dedos

Apontados, afiados, molestadores.

Os doces dedos domadores

Os que hora me tocam

Hora me julgam.

Já não sou a mesma.

.

Não choro,

O rio secou depois da barragem

Depois do ventre que sangrou

Da inocência morta

Dos sonhos caídos

Do roteiro desafiador das últimas cenas.

.

Sou anjo,

Desde de que você me atirou do último andar

Com a melhor das intenções

Foi pra me ver voar, dizia.

.

Enceno,

E aguardo os aplausos ao final do meu monólogo,

Mas não há ninguém

Só eu e as outras mil que me habitam

E não me aplaudem

Cansadas que estão de fazer parte do show

Cansadas que estão de correr da coxia ao palco toda vez que eu grito

Cansadas que estão de mim.

.

Quem são elas?

Quem SOU todas?

.

Rodopio pelo piso laminado

Com essa luz amarela queimando os olhos

O figurino encardido

A pele áspera

E minhas mãos esmagando meu rosto

Enquanto eu grito:

“Quem sou eu nesse espetáculo?”

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