Insustentáveis Certezas

Há pouco fumei meu cigarro de dez minutos, enquanto meus olhos tentavam decifrar o tremor desenfreado do meu corpo quente. Eu queria não precisar pensar em nada, mas nos último tempos minha mente tem traçado um paralelo mórbido entre as verdades e mentiras que tenho contado pra mim mesma, o que torna impossível que meu cérebro permaneça inerte por mais do que setenta e sete segundos.

Ontem, enquanto eu dizia o que eu acreditava querer dizer, a realidade é que metade de mim proferia todas as palavras ilógicas que eu luto para trancafiar no coração vazio. Costumo segurar cada sussurro de verdade com a confiança de quem conhece o poder da razão, ainda assim meu comportamento chegou a ser obsceno de tão idiota e, nitidamente, meus gestos entregaram minha limitação de franqueza.

Não vislumbro a possibilidade de ser menos eu, e isso me assusta. Sim “sou encrenca”, mas ninguém pode me atribuir culpa por envolver qualquer outro além de eu mesma nisso aqui. Faço justiça, e resguardo outras vidas da inconstância que tem sido a minha, porque dessa forma me sinto absolvida.

Poderia ser tão simples se eu não tivesse esse imã de desordem no meio do meu peito. Seria tão mais fácil permanecer na utopia do “e se” para sempre. Só que nesse momento tudo o que eu queria era fumar meu cigarro de dez minutos de confusão em apenas dois minutos de certeza, e conseguir evocar a convicção que eu tinha das minhas verdades antes de você me fazer contar mentiras.

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