Se chover me junta

O mar cinzento flutuando sobre nossas cabeças,

em uma dança densa, sinistra e pérfida.

Esse som me faz trêmula, débil e errada.

Esse céu me ocupa, me alaga, me transborda.

Vivo em tempestades,

entre barcos à deriva, reprodutores de um balé desconforme, desorientados.

Desorientada

vivo temendo os relâmpagos,

as faíscas de alucinação,

as convulsões desse sopro de existência.

Tudo ontem e hoje, até mesmo depois de amanhã, é chuva.

E gotas caem em quilos,

pesadas, doloridas, devastadoras.

Olha bem, estamos embebidos nesse líquido maciço,

todos,  também eu e você.

Mas não somos iguais, não somos, não.

A tormenta me infesta, e me dissolvo em partículas

então me afasto de mim, em pouco tempo me perdi.

Agora faltam pedaços.

.

Só lembra,

se amanhã chover, pode ser que seja eu.

 

 

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