Bloco de Notas

A vida é a arte de fingir que se é artista.
Fingimos,
como se o palco engolisse quem éramos antes de viver, de nascer.
Corações presos em cortinas que abrem, e fecham, e esperam aplausos,
“corações” para os que choram melhor, riem melhor, falam mais alto.

A vida é esse contar moedas na bilheteria.
Sorrimos,
fazendo parecer que nunca esperamos nada dos espectadores.
Corpos satisfeitos com migalhas sentimentais,
restos de abraços, de beijos e palavras, nos sustentam.
Mortos de fome, de sede e vazio, prosseguimos.

Talvez soubéssemos nós da inexistência de plateia,
talvez soubéssemos nós da solidão do teatro,
talvez soubéssemos nós dos erros em cena,
talvez soubéssemos nós do medíocre personagem,
talvez soubéssemos nós, de nós,
talvez soubéssemos,
se realmente atuássemos.

Anúncios

One Comment Add yours

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s